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Author: rupereta servindo sempre




Nesta terça-feira passada um dos Pastores de nossa congregação, nos trouxe uma palavra para a edificação da igreja, onde tinha como pano de fundo uma linha teológica chamada TEORIA DA LACUNA OU TEORIA DO INTERVALO, resolvi postar parte da teoria crendo que alguns irmãos não conheçam, eu particularmente tenho minhas restrições a respeito desta teoria, mas leia o artigo e tire sua própria conclusão.
Como escreveu o Pastor Guedes:

“Devido às últimas descobertas arqueológicas e o crescente interesse pela ciência nas últimas décadas, vem ganhando força em nosso meio e nos círculos teológicos, a chamada Teoria da Lacuna. Essa teoria foi defendida em 1876 por C. H. Pember em sua obra As Idades Mais Remotas da Terra e a Conexão delas com o Espiritualismo Moderno e a Teosofia. Outro defensor foi o Dr. Artur Custance, autor do livro Sem Forma e Vazia. Chambers a tornou popular utilizando-se das notas da Bíblia de Referência Scofield (1917). No Brasil, tornou-se conhecida através da obra de N. Lawrence Olson, O Plano Divino Através dos Séculos.” http://www.assembleia.org.br/site/
A teoria da lacuna.

Os proponentes da teoria da lacuna argumentam que houve, num passado muito remoto, uma “criação primitiva”, referida em Gênesis 1.1. Isaías 45.18 declara:

“Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia [no hebraico, tohu], mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR e não há outro.”

Este versículo, segundo a teoria da lacuna, comprova que Gênesis 1.2 não pode estar descrevendo a criação original de Deus como vazia e sem forma (tohu), mas que era uma ordem perfeita, que continha uniformidade, complexidade e vida [1].

Esta teoria propõe que Satanás, que era arcanjo antes da sua queda, governava essa Terra pré-adâmica, um reino originalmente perfeito [2]. Então ele, juntamente com as cidades e nações dos povos pré-adâmicos, e a Terra (o seu domínio) foi amaldiçoada e destruída por uma inundação (cujos resultados são referidos em Gênesis 1.2: “a face do abismo”). Esse mesmo versículo indica que “a terra era sem forma e vazia”. Arthur Custance argumenta que a frase “sem forma e vazia” alude a uma expansão arruinada e devastada como resultado de um julgamento e que deve, portanto, ser interpretada como “uma ruína e uma desolação”. [3]

Isaias 24.1 e Jeremias 4.23-26 são citados pelos adeptos da teoria da lacuna como evidencias desse juízo cataclísmico (embora esses textos se refiram ao juízo futuro). E a declaração de Jesus em Mateus 13.35 – “desde a criação do mundo” – significaria “desde a derrocada do mundo” [4]. Afirmam ainda que o dilúvio citado em 2PEDRO 3.6-7 não é o de Noé – o contexto é “o princípio da criação” – mas um primeiro dilúvio, que destruiu o mundo pré-adâmico. [5]

Alguns proponentes apontam o acento disjuntivo rebhia, introduzido pelos rabinos medievais entre Gênesis 1.1 e 1.2 para indicar uma subdivisão [6]. Além disso, a conjunção hebraica waw pode indicar “e”, “mas” ou “ora”. Então, optam por traduzir assim o versículo 2: “A Terra tornou-se sem forma e vazia”. Mas reconhecem que a Bíblia não declara o tempo que a Terra permaneceu nesse estado caótico (lacuna) – entre Gênesis 1,1 e 1.2.[7] H.Thiessen diz: “O primeiro ato criador ocorreu no passado sem data, e entre ela e a obra dos seis dias há espaços bastante para todas as eras geológicas”. [8]

Os adeptos da teoria da lacuna declaram, no entanto, que Deus finalmente reiniciou o processo criador na neo-criação – ou reconstrução – descrita em Gênesis 1.3-31[9]. Alegam ainda que a expressão “Deus criou” leva em conta uma nova criação, uma nova moldagem do Universo, que não precisa estar restrita a um primeiro evento. Alguns desses teóricos entendem que os “dias” da criação duraram 24horas. Outros, que os “dias” de Gênesis 1 são períodos indefinidamente longos.

Em Gênesis 1.28 – “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” – a palavra “enchei”, para eles, pode significar “encher de novo” uma Terra que já fora cheia em tempos anteriores[10]. Alguns defendem que Deus emprega a mesma palavra quando Noé “encher” a Terra, em Gênesis 9.1.

Além disso, crêem que a aliança em Gênesis 9.13-15 (onde Deus promete: “As águas não se tornarão mais em dilúvio, para destruir toda carne”) pode sugerir que Deus tenha empregado essa forma de julgamento em mais de uma ocasião, anteriormente.

Fósseis humanos antigos, juntamente como fósseis de dinossauros, são considerados evidências desse mundo pré-adâmico. A nota na Bíblia Scofield explica: “É só relegar os fósseis à criação primitiva, e não sobra nenhum conflito entre a ciência e a cosmogonia de Gênesis” 
G.H.Pember declara:

“Posto, portanto, que os remanescentes dos fósseis são de criaturas anteriores a Adão, mas mostram sinais evidentes da doença, da morte e da mútua destruição, devem ter pertencido a outro mundo e possuído uma historia própria, manchada pelo pecado, história esta que culminou na ruína deles mesmos e de sua habitação” [11]

As fraquezas da Teoria da Lacuna.

A teoria da lacuna, no entanto, apresenta várias fraquezas. A língua hebraica não permite uma lacuna de milhões ou bilhões de anos entre Gênesis 1.1 e 1.2. O Hebraico tem uma forma especial, que indica seqüência e introduz aquela forma a partir de 1.3. Nada indica uma falta de seqüência 1.1. e 1.2. Por isso, 1.2 pode muito bem ser assim traduzido “Ora [no princípio] a terra era sem forma e vazia de habitantes”.  

Os atuais eruditos em Antigo Testamento geralmente reconhecem Gênesis 1.1 como uma introdução resumida à criação, cuja história o restante do capítulo relata com mais pormenores [12]. O versículo não descreve um mundo pré-adâmico. Pelo contrario, apresenta ao leitor o mundo que Deus criou ainda sem forma e vazio. Ou seja: Deus não criou a Terra com a sua forma atual de continentes e montanhas, nem pessoas já habitando nela. Nos três primeiros dias, Ele deu forma à criação; e nos três dias seguintes a encheu. O restante da Bíblia refere-se a esses dias como criação, e não como nova criação.

Acrescenta-se que os verbos bara’, yatsar e asah são usados em paralelismo sinônimo em vários trechos de Gênesis e de outros livros da Bíblia [13]. Devemos ser cautelosos em atribuir significado mais amplo a qualquer um desses verbos apenas por se conformarem melhor a determinada teoria. O verbo “enchei” (1.28 – ARC) não significa “encher de novo” alguma coisa que já foi cheia anteriormente. Significa simplesmente “encher” [14]. E o verbo “era” no versículo 2 (“a terra era sem forma e vazia”) não deve ser traduzido por “tornou-se” ou “tornara-se” só para conformar-se à teoria da lacuna[15].

Finalmente, a teoria da lacuna anula a si própria.  Ao relegar as camadas fósseis ao mundo pré-adâmico, com o propósito de harmonizar Gênesis 1 com os dados científicos, não deixa evidência alguma de uma catástrofe global nos dias de Noé. Custance, o mais técnico dos proponentes da teoria da lacuna na segunda metade do século XX, notou essa dificuldade e optou por um dilúvio local, na Mesopotâmia e suas circunvizinhanças [16]. Entretanto, Gênesis 6.7,13, 17; 7.19-23; 8.9,21 e 9.15-16 nitidamente destacam que a extensão do dilúvio era universal.  

NOTAS:

[1] G.H.PEMBER, Earth’s Earliest Ages and Their Connection with Modern Spiritualism and Theosophy (Nova York: Fleming H.Revell Co., 1876), 19-28. Ver. também F.J.Dake, God’s Plan for Man: The Key to the World’s Storehouse of Wisdom (Atlanta: Bible Research Foundation, 1949) 76. Outros versículos que os adeptos da teoria da lacuna reivindicam como apoio a um período pré-adâmico inclui Jó 38; Sl. 83-8; 19.1-6; PV. 8.22-31; Jo. 1.3,10; At.17.24-26; Cl. 1.15-18; Hb. 1.1-12; 11.3; Ap.4.11.
[2] Is.14.12-14; Jr.4.23-26; Ez. 28.11-17; Lc.10.18; 2Pe. 3.4-8. Pember Earth’s Earliest Ages, 36. Ver também Dake, God’s Plan, 94, 118-24.
[3] Arthur C. Custance, Without Form and Void: A Study of the Meaning of Genesis 1.2 (Brockiville, Ontario: doorway Publications,1970) 116.
[4] Dake, God’s Plan, 124. Na realidade, empregava-se katabolê no sentido de semear sementes ou fazer um primeiro pagamento (“entrada”), bem como para “fundação” ou “começo” – jamais no sentido derrubar. O uso da palavra, e não sua derivação, é que determina o seu significado.
[5] Pember, Earth’s Earliest Ages,83.
[6] Custance,Without Form.
[7] Ibid.,122,124. Henry C.Thiessen, Lectures in Systematic Theology (Grand Rapids: Wm.B.Eerdmans, 1949),164.
[8] Ibid.
[9] Pember, Earth’s Earliest Ages,81. Dake, God’s plan, 134.
[10] Ibid.,118.
[11] C.I.Scofield, The Scofield Reference Bible: The Holy Bible (Nova York: Oxford University Press, 1909) 4, nota 3. Pember, Earth’s Earliest Ages,35.
[12] Waltke, “Literary Genre”, Crux,3.
[13] W.W.Fields, Unformed and Unfilled (Nutley, NJ.: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1976) 70,71.
[14] A nossa Bíblia (ARC 1995) sempre traduz malê’ como “encher”, sem nenhuma possibilidade de se interpreter por “encher de novo”.
[15] Fields, Unformed, 88-97. Versículos citados para pelos adeptos da teoria da lacuna para sustentar o significado de “tornou-se” têm, na realidade, outra construção em hebraico e outro contexto. Normalmente, quando a palavra significa “tornou-se”, o hebraico diz “era para” ou emprega uma forma no imperfeito.
[16] A.C.Custance, “The Flood: Local or Gobal?”, Doorway Papers No.41 (Brookville, Ontario: Doorway Publications,1989.




 "A TEORIA DA LACUNA" texto extraído da TEOLOGIA SISTEMÁTICA - UMA PERSPECTIVA PENTECOSTAL- EDITADO POR STANLEY M. HORTON PAG.232-235 / ED. CPAD



ANDREZINHO RUPERETA

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