NÃO CHAME SEU FILHO DE DANADO!

Por Andrezinho Rupereta.
Introdução:

Não faz muito tempo que li, em uma atualização de status na rede social Facebook, as palavras que dão o titulo deste meu pequeno texto. Ao ler determinada mensagem fiquei intrigado, minha mente naquele instante, ficou agitada com tal informação, algo estava errado naquela informação e curioso como sou – não perdi tempo – fui fazer minhas consultas exegéticas. Não deu outra, mais uma velha lenda gospel dando um role nas redes sociais e blogs – principalmente estes de batalha espiritual.
Eu te convido para que juntos, possamos observar - onde se encontra o erro desta afirmação.

As afirmações:

Não chame seus filhos de danados – significa endemoninhados! Sermão de Pr. Henrique Jorge - Ministério Internacional Bethshalom[i].
DANADO: "Amaldiçoado; condenado; que sofreu dano; corrompido; estragado; arruinado; danificado”. Logo, as pessoas têm pressa em não prestarem atenção em observar as coisas e tem usado a sua própria língua e dito coisas que não são convenientes a uma vida abençoada, lançando assim maldição em seus próprios filhos. Não chame o seu filho de danado... Examinemos, pois com muito cuidado as palavras, que na verdade podem dar vida, como também podem tirá-la. Postado em Meditações diárias da Igreja Evangélica Cristã Presbiteriana[ii].

Explicação:

A bíblia sustenta tal afirmação?


Uma pesquisa rápida nas principais versões nacionais [NVI; CNBB; JFA-RA; NTLH; VIVA; BLTTA] você perceberá que em nenhuma delas, encontraremos a afirmação que danado é uma maldição ou que é sinônimo de uma pessoa endemoninhada.

A bíblia é nossa regra de fé e prática – se bíblia não nos dá respaldo para determinado ensino ou prática, não devemos ter isto como verdade. Só por este fato já deveríamos desconsiderar tal afirmação.


Quem é a fonte de determinado ensino?


Ao se fazer uma nova pesquisa, nas principais versões bíblicas nacionais, não encontraremos a palavra “danado” - se a bíblia, não é a fonte desta palavra, de onde, então, vem as explicações do significado da palavra “danado” – dos dicionários de nossa Língua Portuguesa.

Com base nas informações que já possuímos, fica claro, que a afirmação – não chame seu filho de danado, pois você, o está amaldiçoando, [você está destinando a alma dele ao inferno[iii]] - não se encontra na bíblia, mas, encontra-se em dicionários de nossa Língua Portuguesa.


A informação está correta?

“A informação está correta?” - É lógico que não! Consulte os principais dicionários de nossa Língua Portuguesa e você perceberá que a informação está incompleta, vejamos como o dicionário Houaiss define a palavra danado:

Danado     Datação: 1274

n adjetivo e substantivo masculino
1      que ou o que foi prejudicado, corrompido, estragado
2      Rubrica: religião.
que ou aquele que foi condenado às penas do inferno; maldito
3      Uso: informal.
que ou o que está hidrófobo; raivoso
Exs.: recolheram os cachorros d.
 hidrofobia é a doença dos d.
4      que ou aquele que está irritado; zangado, aborrecido
5      que ou o que é agitado; excitado, impetuoso
6      que ou o que é muito esperto; malandro
7      Regionalismo: Brasil.
que ou o que é ruim; mau
Exs.: a rua hoje está com um cheiro d.
 aquele d. faz mal às crianças
8      Regionalismo: Brasil.
que ou o que é valente; decidido, impetuoso
Exs.: cuidado que o cabra é d.
 o d. derrubou cinco homens
9      Regionalismo: Brasil.
que ou aquele que é dado a diabruras e traquinagens (diz-se ger. de criança); travesso, arteiro
Exs.: mas que criança d.!
 o d. me enganou direitinho
10    Regionalismo: Brasil.
que ou o que faz algo bem feito; habilidoso, inteligente
Exs.: é d. no jogo de xadrez
 o d. tem muito talento

n adjetivo
11    de grande proporção; enorme, extraordinário, imenso
Ex.: deu um trabalho d.
12    que gosta muito; louco
Ex.: d. por chocolate

Se você pesquisar os principais dicionários, perceberá que a definição da palavra danado entre eles, são semelhantes, salvo algumas variações. O criador de tal ensino não foi honesto, ele ocultou parte da definição da palavra danado;  e fez uma afirmação que a bíblia não faz, isto é muito grave, estamos diante de um caso tipico de nossa teologia tupiniquim - ensinar aquilo que não se encontra nas escrituras!

Ao buscarmos a etimologia da palavra, podemos afirma que ela teve realmente este sentido, de que determinada pessoa sofreu um condenação pela igreja e se tornou maldito ou condenado. Mas como toda palavra que com o passar do tempo cai em desuso ou sofre uma mutação em seu sentido, com a palavra danado não foi diferente. Hoje danado como vimos à definição do dicionário não tem mais a ideia de alguém maldito, mas de alguém que sofre com a doença de raiva [infecção causada pela mordida de um cachorro ou morcego] ou algo muito bom ou até mesmo de uma criança muito inteligente ou agitada demais.


Aplicação:

O que devemos aprender com tudo isto que acabamos de ler:

1.Não de credito a tudo que você ouve ou lê – investigue a informação que você está recebendo.
2.Se a bíblia não dá respaldo – não acredite! 
3.Lembre-se que, grandes lideres cristãos cometeram barbaridades terríveis, ensinando aquilo que a bíblia não ensina.
4. Seja sempre um cristão bereano [Atos 17.11].

Que Deus nos abençoe...





[iii] Este trecho foi copiado do status de minha amiga na rede social Facebook.



O cristianismo não é mais uma opção religiosa, entre várias opções existente. Não, ele não é uma opção!

A mensagem principal do cristianismo – não se refere ao nosso bem estar nesta vida. A mensagem principal que encontramos no cristianismo é o testemunho do próprio Deus encarnado que morreu numa cruz como um sacrifício perfeito para absolver o pecado da raça humana – testemunho registrado por pessoas que o acompanharam, que o tocaram e que o viram em sua forma humana.

O cristianismo é o próprio testemunho de Jesus Cristo – totalmente homem e totalmente Deus – Ele mesmo afirmou que morreria e que no terceiro dia ressuscitaria. Como lhe escrevi, cristianismo não é uma opção ou ele é a verdade ou ele é uma farsa.

Você tem o testemunho de seus apóstolos, você tem o testemunho das provas históricas e você tem o testemunho de Jesus Cristo, ele afirmou ser o próprio Deus. Nenhum homem em plena razão faria ou teria a audácia de fazer tal afirmação. Ele afirmou que morreria isto qualquer homem poderia ou pode afirmar, mas ele também afirmou que após três dias ele iria ressuscitar de entre os mortos – nenhum homem na história da raça humana fez tal afirmação – ele não somente fez tal afirmação, como também aconteceu exatamente como ele havia dito.

Vários opositores do cristianismo tentaram de várias formas desacreditar o fato da ressurreição de Jesus Cristo, estes homens não tiveram a capacidade de trazer ao mundo uma prova que cale definitivamente a ressurreição de Jesus Cristo.

A ressurreição de Jesus Cristo é o calcanhar de Aquiles dos opositores do cristianismo, ela esmiúça as “teorias inertes” de tais homens, que se julgam sábios o suficiente - para calar o maior testemunho deixado por Deus neste nosso planeta – a sua tumba vazia.

Por este motivo afirmo o cristianismo não é uma opção – ou ele é a verdade ou ele é uma farsa – Se ele é a verdade, tudo que se encontra fora dele é uma farsa. Caso você opte por tê-lo como uma farsa, você tem a oportunidade de expor ao mundo a sua prova e desmascarar os cristãos e suas mentiras.

Como bem escreveu o ex-agnóstico C.S.Lewis -"Estou aqui tentando evitar que alguém diga aquela grande tolice que frequentemente se diz a respeito dEle: 'Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre de ensinos éticos, mas não aceito a afirmação que fez de que era Deus'. Isso é o que não devemos dizer. Um homem que fosse um simples homem e dissesse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de ensinos éticos. Seria um lunático — estando em pé de igualdade com o homem que diz o mesmo de Napoleão ou, então, seria o Diabo vindo do inferno. Você precisa tomar uma decisão. Ou esse homem era e é o Filho de Deus, ou, então, era um louco ou algo pior. Você pode fazê-lo se calar, se toma-lo por um tolo; você pode cuspir nEle e matá-lo, tendo-o por um demônio; ou você pode cair a Seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém apareça com algum tipo de insensatez paternalista, afirmando que Ele foi um grande mestre humano. Ele não deixou conosco a responsabilidade de decidir a respeito. “Não pretendeu fazê-lo”.

O cristianismo não está fundamento em uma fé cega e irracional, ele encontra-se fundamento em fatos históricos, existem evidências sobre sua veracidade, considere as provas – pois Deus existe e andou entre nós!
Andrezinho rupereta, vosso servo.




Frequentemente recorrem-se à posição do célebre C. H. Spurgeon. Ele fez fortes declarações sobre a soberania de Deus. Mas aqueles que param por aqui não tratam Spurgeon adequadamente. Para ser sincero, ele enfatizava a soberania divina, todavia esse não é o único lado de Spurgeon. Um estudo de suas obras mostra que ele vigorosamente exibia o outro lado também.

Esta é também a observação de alguns que conheceram bem Spurgeon. O Dr. Arthur T. Pierson foi convocado para suceder imediatamente o ministério de Spurgeon no Metropolitan Tabernacle em Londres, onde ele exerceu por vários anos. Ele deve, por essa razão, ter tido conhecimento real e entendimento da posição de Spurgeon. Ele reconheceu claramente os dois lados da visão de Spurgeon:

"A soberania divina e a liberdade humana são alternadamente enfatizadas na Escritura, e nenhuma tentativa é feita para harmonizá-las. A falha de todos os sistemas teológicos é que eles tentam uma harmonia e um ajuste científico do que a Palavra de Deus deixa um problema não resolvido e um paradoxo insolúvel. C. H. Spurgeon não tinha sido há muito um pregador e pastor antes que ele também estivesse contente por insistir na eleição soberana de Deus e na eleição voluntária do homem de Deus, como ambas verdadeiras e essenciais à salvação. Mas ele não fez mais tentativa para harmonizá-las do que Cristo antes dele, quando Ele disse quase com a mesma expressão, 'Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer,' e novamente, 'Não quereis vir a mim.'" (Pierson, A. T.: Seed Thoughts For Public Speakers, p. 271)

O Dr. A. H. Strong em sua Systematic Theology (p. 364), ao chegar no problema de equilibrar o lado divino reconhecendo também o lado humano, referiu, entre outros, ao livro The Best Bread (p. 109) de C. H. Spurgeon em um sermão sobre a crucificação:

"O quaterno de soldados fizeram tudo que queriam fazer. Eles agiram de seu próprio livre-arbítrio, e todavia cumpriram o eterno conselho de Deus. Nunca seremos capazes de fincar nas mentes dos homens a verdade que a predestinação e a livre-agência são ambos fatos? Os homens pecam tão livremente quanto pássaros voam no ar, e eles são completamente responsáveis por seu pecado; e todavia tudo é ordenado e previsto por Deus. A preordenação de Deus em nenhum grau interfere na responsabilidade do homem. Geralmente as pessoas me pedem para reconciliar as duas verdades. Minha única resposta é – Elas não precisam ser reconciliadas, pois elas nunca se separaram. Por que eu devo tentar reconciliar dois amigos? Prove para mim que as duas verdades não concordam. Estes dois fatos são linhas paralelas; eu não posso uni-las, mas você não pode fazê-las cruzarem. Permita-me também acrescentar que eu há muito abandonei a idéia de dispor todas as minhas crenças em um sistema. Eu acredito, mas não posso explicar. Me prosto ante a majestade da revelação e adoro o infinito Senhor."

Spurgeon se expressou um tanto similarmente em outro sermão:

"'Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora' (Jo 6.37). Estas duas sentenças têm sido consideradas como representando os dois lados da doutrina cristã. Elas nos possibilitam vê-la de dois pontos de vista – de Deus e do homem.... A segunda sentença mostra a abençoada, encorajadora, doutrina evangélica, e é de fato uma promessa e um convite – 'O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.' Esta é uma afirmação sem qualquer limitação: pensa-se que ela deixa a livre graça de Deus aberta ao livre-arbítrio do homem, para que quem quiser possa vir e estar seguro de que não será recusado. Não temos permissão para restringir qualquer uma das sentenças, nem há a menor necessidade de assim fazer.... Estas são duas grandes verdades; vamos carregá-las ambas conosco, e elas se equilibrarão. Me pediram uma vez para reconciliar estas duas afirmações, e eu respondi, 'Não, eu nunca reconcilio amigos.'... A grande declaração do propósito de Deus que Ele salvará os Seus é totalmente consistente com a maior declaração de que quem vir a Cristo será salvo. É uma pena que sempre se considerou difícil sustentar ambas as verdades.... Tomem, então, estas duas verdades, e saibam que elas são igualmente preciosas porções de um todo harmonioso." (The Treasury of the New Testament, Vol. II, p. 355)

Novamente, enquanto ainda gloriando no lado divino ao qual ele dá espaço completo, Spurgeon reconheceu o lado humano, mesmo com suas limitações:

"Essa é a verdade, sobre a qual, espero, nunca tenhamos qualquer dúvida; sustentamos tenazmente que a salvação é toda da graça, mas também cremos com igual firmeza que a ruína do homem é inteiramente o resultado de seu próprio pecado. É a vontade de Deus que salva; é a vontade do homem que condena.... Há grandes abismos sobre estes dois pontos. A parte prática da teologia é o que é mais importante que entendamos. Pode entrar num labirinto terrível aquele que pensa continuamente na soberania de Deus somente, e pode igualmente cair em profundezas que devem provavelmente sufocá-lo se ele meditar apenas no livre-arbítrio do homem. A melhor coisa é aceitar o que Deus revela a você, e crer que... O que se espera é, primeiro, uma verdadeira vontade para vir para Deus. Você ouviu muito, atrevo-me a dizer, sobre a maravilhosa faculdade do livre-arbítrio.... Aí está onde o pecador falha, o que ele precisa é de uma vontade verdadeira.... Não há nenhuma disposição em seus corações, pois uma disposição verdadeira é uma disposição prática. O homem que deseja vir a Cristo diz, 'Devo livrar-me de meus pecados, de minha própria justiça, e devo buscar Aquele que unicamente pode me salvar.'... Há necessidade de uma vontade urgente. Você está disposto a vir para Cristo agora? Eis a questão.... Então, vejam, é de uma vontade real e urgente que é preciso." (Treasury of the New Testament, Vol. I, pp. 340, 342)


Mais uma vez Spurgeon claramente se expressou:

"Vejam quão docemente a segunda oração de nosso texto coloca – 'Quem quiser, tome de graça da água da vida.' Se está sedento ou não, todavia tem vontade de beber? Tem vontade de ser salvo? Vontade de ser feito uma nova criatura em Cristo? Deseja ter vida eterna? Então assim diz o Espírito a ti, 'Quem quiser, tome de graça da água da vida.'... 'Quem quer que' – então quem ousaria ter a impudência de dizer que está excluído? Se disser que você não pode estar dentro dos 'quem quer que' – isso deve significar todo homem que já viveu, ou irá viver, enquanto, todavia, ele estiver aqui e deseja vir." (Treasury of the New Testament, Vol. IV, p. 845)

Sobre outro assunto Spurgeon disse:
"Você não confia nele; você não O obedece. Oro para que você considere o fato. 'Posso crer nele?' diz alguém. Já não dissemos dez mil vezes que quem quiser pode tomar da água da vida livremente. Se houver alguma barreira não é com Deus, nem com Cristo, é com seu próprio coração pecaminoso. Você é bem vindo ao Salvador agora, e se você confiar nele agora Ele é seu para sempre.... Você vira suas costas para o Deus encarnado que derrama seu sangue pelos homens, e ao fazer assim você se exclui da esperança, julgando-se indigno da vida eterna.... Há uma água da vida, mas você se recusa a bebê-la; então você deve ficar sedento eternamente. Você põe para longe de você, voluntariamente, o único Redentor; como então você será remido?" (Treasury of the New Testament, Vol. II, pp. 301, 303)

Em um sermão intitulado "Responsabilidade Humana," Spurgeon disse:

"Tenho sido muitas vezes repreendido por certos homens que se desviaram da verdade, por pregar a doutrina que é pecado os homens rejeitarem o evangelho de Cristo. Não me importo com qualquer título infamante: estou certo de que tenho permissão da Palavra de Deus para pregar assim, e não acredito que qualquer um pode ser fiel às almas dos homens e limpos de seu sangue, a menos que carregue seu testemunho freqüente e solene sobre este assunto vital.... Não fiquei sem expor as gloriosas doutrinas da graça, ainda que ao pregá-las os inimigos da cruz me chamaram de antinomiano; nem tenho tido medo de pregar a solene responsabilidade do homem, ainda que uma outra classe tem me difamado como arminiano. E ao dizer isto, não o digo a fim de gloriar, mas o digo para sua repreensão, se você tem rejeitado o evangelho, pois você terá pecado muito acima de quaisquer outros homens; ao rejeitar Cristo, uma dupla medida da impetuosidade da ira de Deus cairá sobre você." (Memorial Library, Vol. V, pp. 426, 429)

Em um sermão sobre o texto , "Força-os a entrar," Spurgeon disse:

"Eu seria pior do que um demônio se eu não, com todo amor, e bondade, e zelo, implorasse para você 'tomar posse da vida eterna.' Alguns hiper-calvinistas me diriam que estou errado em fazer assim. Não posso deixar de fazer isto. Devo fazer isso. Como eu devo me apresentar, finalmente, diante de meu Juiz, sinto que eu não farei completa prova de meu ministério a menos que suplique com muitas lágrimas que vocês sejam salvos, que vocês olhem para Jesus Cristo e recebam Sua gloriosa salvação."
No mesmo sermão, em uma única página de duas colunas, em sua súplica Spurgeon sete vezes citou versos com "quem" ou "qualquer um" neles; "'Quem crer,' 'quem invocar,' 'quem vir,' 'quem crer,' 'quem quiser, deixe-o vir,' 'qualquer um que invocar,' e 'quem quiser.'" (Treasury of the New Testament, Vol. I, pp. 885, 882)

Em uma outra obra Spurgeon novamente mostra a liberdade da ação humana:

"A matéria inanimada obedece à lei divina pela força, mas um ser humano pode somente obedecer a Deus com sua vontade, visto que obediência relutante não seria obediência coisa nenhuma. Não pode haver tal coisa como amor relutante, confiança relutante, ou santidade relutante. A voluntariedade entra na essência de um ato moral. Tendo, por isso, assim feito o homem, o Senhor não se esquece desse fato, mas sempre trata o homem como um agente livre. As compulsões divinas de Sua graça são apenas congruentes com uma criatura disposta e indisposta." (Illustrations and Meditations, or Flowers From a Puritan's Garden, p. 124)

De uma fonte diferente vem outra declaração ainda mais forte de Spurgeon:

"Griffiths diz que viajantes na Turquia carregam consigo pastilhas de ópio, nas quais está gravado 'mash Allah,' o dom de Deus. Vários sermões são como tais pastilhas. A graça é pregada mas o dever negado. A predestinação divina é exaltada mas a responsabilidade humana é rejeitada. Tal ensino deve ser evitado como venenoso, mas aqueles que pelo uso cresceram acostumados ao sedativo, condenam toda outra pregação, e exaltam suas pastilhas de ópio da eminente doutrina como a verdade, o precioso dom de Deus. Deve ser temido que esta doutrina suco de papoula tem mandado muitas almas para dormir que acordarão no inferno." (Feathers for Arrows, p. 65)

Para demonstrar mais completamente a ênfase de Spurgeon sobre o papel a ser desempenhado pelo homem, seus sermões, como por exemplo, sobre certos textos nos Evangelhos, podem ser lidos. Com ardorosa súplica, ele insiste que o evangelho é para todos os homens, incita todos a procurar refúgio no Salvador, e mostra o perigo pelo qual serão responsáveis se eles deixarem de agir. Em seu sermão sobre 1Tm 2.4 ele zomba daqueles que transformariam "quer que todos sejam salvos" em "alguns homens" ou em "que não quer que todos os homens sejam salvos."

Sua autobiografia tem algumas coisas interessantes. Há uma citação de alguém dizendo dele:
"Ele discorria sobre a 'Responsabilidade Humana.'... Não muito tempo depois ele demonstra os dois lados da verdade divina em um sermão intitulado 'Graça Soberana e Responsabilidade do Homem,' em que ele evitava os erros do Arminianismo por um lado, e os do hiper-Calvinismo por outro." (Autobiography, Vol. II, p. 224)

Na mesma obra Spurgeon disse dos estudantes que saíram de seu Pastor's College:
"Alguns poucos têm passado para o hiper-Calvinismo, e, por outro lado, um ou dois tem vagueado em sentimentos arminianos; mas mesmo estes têm permanecido zelosamente evangélicos, enquanto a maior parte dos irmãos continuam na fé em que seu colégio os educou." O lema do Pastor's College era uma mão segurando a cruz, a qual estavam acrescentadas as palavras: "Seguro e sou segurado." (Ibid., p. 150)

Em Spurgeon's Lectures to His Students, editado por David Otis Fuller, é evidente que Spurgeon falava com força e até com um pouco de sarcasmo àqueles que estavam indo trabalhar no evangelho. Em um capítulo intitulado, "Sobre a Conversão Como Nosso Alvo," ele disse:
"Todo e qualquer apelo que alcançar a consciência e mover os homens a lançarem-se para Jesus devemos perpetuamente empregar, se por qualquer meio possamos salvar alguns.... Em nome de nosso Mestre devemos dar o convite, proclamando 'quem quiser, tome de graça da água da vida.' Não se intimidem, meus irmãos, por aqueles teólogos ultra-calvinistas que dizem, 'Você pode instruir e alertar os incrédulos, mas você não deve convidá-los ou suplicar a eles.' E por que não? 'Porque eles são pecadores mortos, e por isso é absurdo convidá-los, visto que eles não podem vir.' Por que então podemos alertá-los ou instrui-los? O argumento é tão forte, se é que é forte, que elimina todos os modos de apelo aos pecadores.... Quem entre os filhos dos homens pensaria que é uma grande vocação a ser enviada na sinagoga para dizer a um homem perfeitamente vigoroso, Levanta e anda'? Ele é um pobre Ezequiel cuja maior realização é gritar, 'Vós, almas vivas, vivam.'" (pp. 327-329)

A consideração da posição de Spurgeon pode bem ser concluída apresentando o que é relatado por um erudito britânico completamente versado nesta área:

"Charles Haddon Spurgeon sempre alegou ser calvinista.... Sua mente estava infiltrada nos escritos dos teólogos puritanos; mas seu intenso zelo pela conversão das almas o levou a pisar fora dos limites do credo que ele tinha herdado. Seu sermão 'Força-os a entrar' foi criticado como arminiano e não ortodoxo. A seus críticos ele respondeu: 'Meu Mestre colocou Seu selo nessa mensagem. Eu nunca preguei um sermão pelo qual muitas almas foram ganhas para Deus.... Se considerarem uma má coisa declarar ao pecador tomar posse da vida eterna, serei, todavia, pior a este respeito, e nisto imitarei meu Senhor e Seus apóstolos.'

"Mais do que uma vez Spurgeon orou 'Senhor, se apresse em trazer Seus eleitos, e então eleja alguns mais.' Ele parece ter usado esta frase muitas vezes em conversa, e em seus lábios não era mera pilhéria. Com sua rejeição definitiva de uma expiação limitada, ela teria horrorizado João Calvino.... A verdade parece ser que as velhas frases calvinistas estavam com frequência nos lábios de Spurgeon mas o significado calvinista genuíno tinha saído delas.

"J. C. Carlile admite que 'ilógico como possa parecer, o Calvinismo de Spurgeon era de tal natureza que, enquanto ele proclamava a majestade de Deus, ele não hesitava em atribuir liberdade da vontade ao homem e insistir que qualquer um poderia encontrar em Jesus Cristo livramento do poder do pecado. '" (Underwood, A. C., A History of the English Baptists, pp. 203-205)

Fonte : ELEIÇÃO E PRESTINAÇÃO. AUTOR: SAMUEL FISK



Por favor,não me chame de evangélico, 
pois eu não sou!

por Andrezinho Rupereta



Em Antioquia, os discípulos pela primeira vez 
foram chamados de cristãos 
Atos 11.26

Calma gente, eu não apostatei.

A princípio talvez você me questione, dizendo que ser evangélico é o mesmo que ser cristão. Sim eu concordo que em termo gramatical as expressões, evangélico e cristão são semelhantes em seu significado, observemos:

Cristão = adj (lat christianu) 1 Que professa o cristianismo. 2 Conforme ao cristianismo, ou a ele relativo. 3 fam Claro, conveniente, próprio, razoável: Compostura cristã. sm 1 Sectário do cristianismo. 2 Ente, pessoa. Fem: cristã. Pl: cristãos. C.-novo: judeu convertido do judaísmo à fé cristã. C.-velho: cristão que nunca foi judeu. Sup abs sint: cristianíssimo.[1]

Evangélico = adj (Evangelho+ico2) 1 Do Evangelho ou a ele relativo. 2 Conforme aos princípios do Evangelho. 3 Pertencente ou relativo ao protestantismo: Igreja evangélica. 4 Caritativo, carinhoso, meigo.[2]

A expressão “sou evangélico” se tornou tão popular, que às vezes, nós nos esquecemos, que somos cristão, quando uso a expressão cristão quero dizer, que nosso estilo de vida, deve ser semelhante ao de Jesus - somos cristão, porque somos discípulos de Jesus Cristo, esta era a idéia, quando os discípulos foram pela primeira vezes chamados de cristão.

Paulo em sua defesa diante do rei Agripa expõe sua fé em Cristo e em um determinado ponto de seu argumento ele pergunta se o rei crê nos Profetas[3] - a indignação de Agripa se deu ao desconfiar que Paulo o estivesse persuadindo a ser um cristão[4].

O termo cristão é clássico, antigo e descrevia realmente o que intencionava dizer - “um homem ou mulher, seguidor de Jesus Cristo que não se curvavam diante do sistema religioso de sua época, mantinham uma vida santa, totalmente contraria, ao estilo de vida dos Imperadores e povos de sua época”.

Talvez o termo “sou um cristão”, ecoa ao ouvido de alguns evangélicos, como algo de outro mundo, pois é conflitante com seu estilo de vida.

Vejo alguns evangélicos determinarem por meio de suas frases de efeitos “eu posso”; “eu sou, tudo aquilo que a bíblia diz que sou”; entre outras frases poderosas, que mais parecem mantras cristãos, como que se pudessem realmente mudar as circunstâncias criticas de sua vida, eles excluíram a teologia do sofrimento de seu convívio. Na maioria das vezes estas frases estão ligadas a uma vida prospera[5]. Afinal não é preciso ser evangélico para aprender este tipo de fraseologia, basta você participar de cursos como PNL [6]ou ler livros como o Segredo[7].  Tudo isto soa muito estranho, aos ouvidos de um cristão.

Um cristão sofre, chora e sente dor! Alguns evangélicos não. Eles não sofrem, não sentem dor, não passam necessidades e também não são semelhantes a Jesus.
O sofrimento faz parte da vida cristã, como a vida cristã, muitas vezes é levada a maturidade por meio do sofrimento. Ao lermos os Salmos ou mesmo algumas cartas do Novo Testamento, encontraremos abundante, relatos de dor, sofrimento e esperança.

Pedro alerta seus leitores de que deveriam sofre como cristão, e não sofrerem, por causa de seu estilo de vida, irresponsável e escandaloso.

“Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome. 1 Pedro 4:16”.

Deus é Soberano e cuida de nossa vida, não excluo de minha vida as firmes promessas de Deus, reveladas por Ele nas sagradas escrituras, o que defendo neste pequeno texto é que cristãos sofrem e abomino a atitude idiota de alguns evangélicos que tentam manipular a Deus, como se isto fosse de alguma forma possível.

Não excluo de minha vida as benções de Deus, por meios de curas, providencias e milagres extraordinários, eu creio que a oração do justo é poderosa e eficaz[8], mas creio também que Deus nos capacita por meio de sua graça infinita a passar pelos sofrimentos extremos que a vida nos proporciona – os mártires, os cristãos chineses, os cristãos nos países onde é predominante o Islã e suas leis severas, as crianças bruxas da África, que são levadas a morte por meio da ordem de alguns evangélicos [9] e os cristãos de nossos sertões brasileiro, sim todos estes e mais alguns são a prova que Deus nos capacita a passar pelo sofrimento, ainda que este sofrimento nos leve a morte.

Sim sou um cristão é não sou evangélico!

Assim como na rede social Facebook – alguns evangélicos curtem o maldito evangelho da prosperidade. Eu não curto mentira!

Seja um cristão, pois evangélico no Brasil já tem bastante.

“aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou. 1 João 2:6”




[3] Os escritos dos profetas registrados no Antigo Testamento, que anunciaram a vinda do Messias, sua morte e ressurreição.
[4] Então Agripa disse a Paulo: "Você acha que em tão pouco tempo pode convencer-me a tornar-me cristão? Atos 26.28 – NVI.
[5] Uso o termo prospera, como referencia a da doutrina da prosperidade, que é anunciada com grande ênfase em alguns púlpitos evangélicos.
[8] Tiago 5.16 – Nova Versão Internacional.

 Olá, trago para você nesta semana, a bíblia de estudo Mysword, um aplicativo para smartphone ou tablet com sistema operacional Android 2.00 ou modelos mais atuais.
Você pode instalar os módulos que você desejar (dicionários, dicionários com números de Strong, comentários, multilexicos e diversas versões da bíblia em português, inglês e espanhol)




Aqui você encontrará o aplicativo principal e os módulos em Inglês:

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Baixe instale e desfrute do melhor de Deus para você.

Um abraço – Qualquer dúvida deixe um comentários. Andrezinho rupereta.



Diante da denúncia feita pela Rede Record, no programa Domingo Espetacular, sobre o Apóstolo Valdemiro, houve uma grande manifestação em diversos veículos de comunicação, como as redes sociais, blog e redes de televisão. Pessoas indignadas se manifestaram de diversas formas, publicando fotos engraçadas, como uma luta estilo UFC entre Edir Macedo e Valdemiro, outros publicaram matérias afirmando que qualquer pessoa que se apresente como pastor é ladrão, alguns sugeriram que houvesse um reality show tipo “Pastores Ricos” etc. Eu como cristão, fico muito triste com tudo isto, já faz algum tempo que venho observando as atitudes arrogantes, do tal “pseudoapóstolo”, o escândalo era somente uma questão de tempo. Que o ministério público investigue as denúncias e se ficar provado que Valdemiro é culpado, que ele pague por seus erros.

Mas o meu alerta é para você cristão, uma regra básica do cristianismo é “a bíblia é a nossa única regra de fé e prática” o grande erro que cometeram aqueles que se sentiram enganados por Valdemiro é não ter dado a devida atenção para esta regra.

Temos registrado nas escrituras várias advertências contra obreiros fraudulentos  não é de hoje que eles se manifestam, desde o antigo testamento, temos registros deste tipo de pessoa, no antigo testamento encontramos a Lei que foi entregue a Moises e por meio dele, Israel ouviu o que Deus exigia de seu povo. No decorre da historia do povo judeu, encontramos homens que não guardavam a Lei de Deus, e enganavam a muitos. O povo errava, pois dava ouvido para este tipo de falso profeta ou rei e deixavam de cumprir os mandamentos de Deus, por meio destes lideres o povo se prostituia, faziam para si ídolos e os adoravam, os comerciantes roubavam o seu próximo por meio de balanças adulteradas, não se prestava assistência aos órfãos e as viúvas e tudo isto acontecia, porque o povo não observava a Lei do Senhor. Mas Deus sempre levantava um profeta ou líder para trazer o povo de volta a sua Lei, estes homens eram a autoridade de Deus para o seu povo.

Não é diferente quando observamos os relatos do novo testamento, em sua maioria, às cartas paulinas, são cartas de exortação, contra os maus obreiros e falsos apóstolos, infiltrados no seio da igreja em seu tempo, assim segue as cartas de Pedro e do Apostolo João, mas a diferença, entre o tempo apostólico e o nosso, é que a palavra dos Apóstolos que estiveram com Jesus era autoridade máxima junto com as escrituras (o antigo testamento) na igreja local daquela época, isto não acontece mais hoje, o cânon foi fechado e os escritos foram preservados e estes escritos são a nossa autoridade hoje.

Na historia da igreja, encontramos relatos onde a tradição católica se coloca como autoridade junto com as escrituras, legislando o que bem entende e criando dogmas não sustentados pela escritura e pelos apóstolos de Cristo. Mas por meio dos reformadores e do avivamento de sua época, hoje temos de volta as escrituras e o sacerdócio de todos os crentes, não precisamos de novas idéias, temos nas escrituras tudo o que precisamos para adorar a Deus e viver uma vida santa.

Hoje, uma nova luta tem se travado, existem alguns pastores e pseudoapóstolos, que estão se colocando acima das escrituras, eles usam as escrituras somente para apoio de suas idéias mirabolantes e heresias, eles não honram o texto sagrado, como diz Paulo, o texto “INSPIRADO POR DEUS” e fazem da noiva de Cristo, sua Igreja, o que bem entendem.

Você como cristão é responsável por sua fé, sua salvação não está ligada a estes homens, você tem o dever de honrar as escrituras e por meio dela, honrar seu Deus. Você não deve depositar cegamente sua vida na mão de qualquer um destes homens, e sim nas mãos de Deus. Os lideres levantados por Deus em nossas igrejas locais, não são infalíveis. Infalíveis são as escrituras! Estes homens levantados por Deus precisam de nossa oração, para que não se corrompam e os falsos precisam ser desmascarados quando possível, pois lembremos que o nosso Senhor disse que o joio cresceria junto com o trigo, em alguns momentos podemos não perceber o joio, mas estes o nosso Senhor conhece bem, deste ele mesmo cuidará. Você precisa ler as escrituras, você precisa estudá-la, você precisa memorizá-la[i] e quando você perceber algo que soe estranha a ela fique esperto.

Para te auxiliar na leitura das escrituras e uma boa compreensão da mesma, você precisa:
1-       Tenha um bom dicionário bíblico.
2-      Se possível compre uma bíblia de estudo com notas explicativas, neste caso de preferência a bíblia de estudo de linha tradicional ou se você for pentecostal e tiver restrições a ensinos reformados use a Bíblia de Estudo Pentecostal o que se deve ficar claro é que mesmo as notas explicativas de qualquer autor podem conter erro, elas também não são infalíveis, e no demais são notas interpretativas de determinado trecho da escritura e algumas interpretações podem conter erros.
3-      Faça leituras constantes de Teologia Sistemáticas e de bons livros de hermenêutica[ii], isto guardará você de cometer erros bárbaros e básicos contra as escrituras e caso você seja um pastor isto irá te guardar de conduzir sua congregação ao erro.
4-      Em sua interpretação de determinado trecho ou capitulo da escritura, sempre que possível confronte sua interpretação com outros autores e veja se você conseguiu enxergar o ponto central daquilo que o autor do texto bíblico tinha a dizer. Honre o que o texto significava para o autor ao escrevê-lo “nunca interprete um texto com esta intenção – o que isto quer dizer para mim – e sim o que isto queria dizer para o autor e seus contemporâneos”, isto te guardará de grandes erros, seu trabalho ao ler um texto é descobrir o que o autor tinha a intenção de dizer ou ensinar sobre determinado assunto e depois que você descobrir a intenção do autor, você deve aplica - lá em sua vida.
5-      Se possível consulte bons comentários bíblicos e honre os mestres que Jesus Cristo levantou em sua igreja, mas nunca se esqueça até estes mestres não são infalíveis.
6-      Aprenda com a historia, não leia somente os escritos de homens santo, que fizeram a diferença em suas épocas, leia sobre sua vida, e perceba o porque fizeram a diferença.

Faça o possível para ler o livro – Feridos em nome de Deus; Ed. Mundo Cristão; Marília de Camargo César.
Leia um trecho aqui:
Espero ter lhe ajudado, e naquilo que não fui claro, por pura incompetência minha, que Deus possa lhe ajudar, esta é minha sincera oração.
 Andrezinho rupereta



[i] Hoje temos diversas formas de ajudar as pessoas, que encontram dificuldade para ler ou até mesmo não o sabem, temos Bíblia em áudio por meio de CDs, mp3 e DVD.

[ii] 1·ciência técnica que tem por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, esp. das Sagradas Escrituras. 2            interpretação dos textos, do sentido das palavras. 

Sempre gostei dos Catecismo e Catequese, que ao longo da História - a Igreja de Cristo foi produzindo, as confissões e os catecismo - não são e nunca serão superior as escrituras, antes elas confirmam o ensino contido nas escrituras. Mas em sua leitura diária das escrituras, você pode adicionar a leitura de uma confissão ou um catecismo, isto pode lhe ajudar a ter um conhecimento geral das principais doutrinas, que durante séculos, a Igreja de Cristo testemunhou e muitos por manter seu testemunho, diante da Igreja e de homens impios - morreram, mas suas obras permaneceram como testemunho desta fé. 


Clique em EXPAND para ler ou baixar a confissão.





SEGUNDA CONFISSÃO HELVÉTICA (1562)

Alderi Souza de Matos

Esse importantíssimo documento foi escrito pelo reformador suíço Johann Heinrich Bullinger (1504-1575). Convertido à causa evangélica em 1522, no ano seguinte ele conheceu Ulrico Zuínglio, o fundador da tradição reformada, do qual se tornou grande amigo, sucedendo-o em 1531 na liderança da Reforma suíça. Nessa função, procurou unir os protestantes suíços e alemães. Com vários colegas de diferentes cidades, escreveu a Primeira Confissão Helvética(1536), que se tornou a primeira declaração da fé reformada com autoridade nacional. A Segunda Confissão Helvética mantém a mesma estrutura, mas foi inteiramente redigida por Bullinger. Foi composta inicialmente após um parecer favorável do reformador Martin Bucer (1561), sendo reescrita durante uma epidemia na qual Bullinger julgou que iria morrer (1562). Ele anexou a confissão ao seu testamento como uma dádiva final à cidade de Zurique.

Os tópicos tratados no longo documento são os seguintes. Caps. 1-2: a Escritura Sagrada, sua inspiração, conteúdo e interpretação – reconhece o valor da tradição eclesiástica (pais da igreja e concílios), porém subordinada à autoridade primária da Escritura; exclui do cânon os livros apócrifos (pela primeira vez em uma confissão reformada). Caps. 3-7: Deus, a providência e a criação – reafirma a doutrina da Trindade e o Credo Apostólico; condena a veneração de imagens e o culto dos santos. Caps. 8-10: o pecado humano, o livre-arbítrio e a predestinação – pecado é corrupção inata e depravação pessoal; aborda a vontade humana em três situações (antes da queda, sob o pecado e após a regeneração); a predestinação recebe forte ênfase pastoral. Caps. 11-13: Cristo, a lei e o evangelho – reafirma a cristologia de Calcedônia e nega as antigas heresias cristológicas; aceita as decisões dos quatro primeiros concílios da igreja. Caps. 14-16: arrependimento, justificação e fé – define a justificação pela graça mediante a fé (imputação); a fé verdadeira produz boas obras que Deus aprova e recompensa. Caps. 17-18: a igreja e o ministério - distingue entre igreja invisível (eleitos) e visível (militante); os deveres dos ministros são pregar o evangelho, ministrar os sacramentos, cuidar das almas e manter a disciplina (capítulos mais longos da confissão). Caps. 19-21: a teologia e prática dos sacramentos – reafirma o batismo infantil como sinal do pacto; a presença de Cristo na ceia é espiritual. Caps. 22-29: questões práticas da vida da igreja – a importância do culto público, cânticos, orações, jejum, catequese, sepultamentos, propriedades eclesiásticas e casamento. Cap. 30: o papel dos magistrados civis – condena posições anabatistas.

Esse testemunho particular de fé se tornou uma confissão pública por dois motivos. Em 1565, o príncipe alemão Frederico III, do Palatinado, pediu a Bullinger uma exposição detalhada da fé reformada para apresentá-la ao Parlamento, onde os luteranos pretendiam acusá-lo de heresia. Bullinger encaminhou-lhe sua confissão de 1562, que foi impressa em latim e alemão. Além disso, os suíços sentiam a necessidade de uma descrição mais ampla de sua fé e para isso adotaram o documento de Bullinger, com pequenas modificações. A confissão foi publicada em Zurique no dia 12 de março de 1566, sendo aceita por todos os cantões reformados. Posteriormente foi recebida na Escócia, Hungria, França, Polônia, Inglaterra e Holanda, tornando-se, ao lado do Catecismo de Heidelberg, o documento reformado mais estimado e influente. Reflete o pensamento maduro de Bullinger e destaca-se por sua catolicidade e moderação.




POR ANDREZINHO RUPERETA.

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